A palavra-mulher

De novo. Quinze para uma.
Na verdade não acho que eu perco o sono.
Só não acho ele as vezes, nem o tempo.
Pra ser sincero nem percebo. Deve ser um desses defeitos. De fabricação.

(Respiração)

Madrugada. só o meu MP3.
Vento da noite. Silêncio. Paz.
Pararam o mundo. Congelaram os telefone. Podia ficar assim. Até os celulares estão dormindo.
Como é bom. Até o mundo fica mais agradável de respirar.

Viajo imaginando o meu celular voando no ar em câmera lenta e se partindo no chão depois de jogado pela janela. Percebo que fico mais feliz. nenhuma culpa. a sensação é tão boa que quase vou jogar mesmo.
Ele nem de tocar agora, olharia os restos e diria: Quem mandou tocar infeliz?

Mas ele tá lá quieto. Deve até ter entrado em modo silencioso. Aprendem rápido essas máquinas....
Sem o barulho fico sem desculpas.

Incrível que nem pisquei para pensar isso.

O que eu vou escrever?
Olho a tela branca e a tela olha pra mim perguntando a mesma coisa.

Acho que é a criança que tá de plantão hoje em mim, porque ela sopra que eu perguntei primeiro.
É verdade...
O computador não acha muita graça. De onde vem tanta falta de humor?
(Respiro, tento ser sério e não esculhambar)
Bom, fico um pouco quieto e então rola o processo.
Toco o teclado e vou escrevendo pra liberar as palavras, começo e pronto, não tem enrolação.
Eu mais ou menos digito, na verdade mesmo eu catamilhografo as primeiras letras e as outras vem vindo.
Chegam não sei de onde. A obrigação de registrar é minha. Então é o que eu faço.
De onde vem tudo isso?
Não sei. mas gosto da companhia.
A noite também gosta. Ela é muito agradável. Diz que assim as coisas ficam mais interessantes.
A noite é muito boa de papo. Gostoso de estar com ela.
Tem um mistério no jeito de se expressar. Particular. Feminino. Atrai e fascina.
As palavras as vezes ouvem o bate papo. Gostam do ambiente de informalidade.
As vezes contam piadas. São irônicas. Brincam muito.
As vezes só querem ser olhadas, as vezes ouvidas.
Pedem pouco. Oferecem muito mais.
Mas sempre mudam a cara do mundo.
Pelo menos o meu.
Depois me liberam.
Melhor ou pior do que estava antes.
Mas sempre mais novo.

Comentários

Débora disse…
Eu já tive um pensamento parecido da noite, com uma única e fundamental diferença, tudo isso, me apavorava, acho que sou uma pessoa fácil de torturar quando penso que basta me deixar acordada a noite toda, eu fico pra pirar.As noites de insônia são realemnte doentias pra mim.
Eu acho que eu devia sentir parecido com o que penso racionalemnte, em relação a essas coisas, mas o "silêncio" que tanto busco, me causa arrepios, eu prefiro um barulho, mesmo e as vezes é necessário que seja o mais insignificante deles (no sentido de importância), mas preciso do barulho.
Eu preciso do abraço, valtinho, daqueles que você reservou pra mim
:**

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