Cheiro das coisas

Foi assim, como tanta coisa nessa rede que a gente vive, assim tipo dominó.

Black buliu Quel, que me mexeu.

Ele disse a ela que que queria mais.
Ela cismou.
Mais o quê? "Ora bolas", o que ele quer mais do que tem?

Rua.

Rua?
Mas, na rua só tem a própria rua, um monte de casas, de coisas, de ar, de luz, de espaço, de gente, de barulho, de carro, de cheiros, de vida, de movimento...

ahhhhhhhhhhhh...

de cheiro-de-vida em movimento...

A-ficha-foi-caindo-devagarinho-na-cabeça-dela...

ahhhhhhhhhhhh...

Ele tava com saudade da vida, mas como se ele ainda tava vivo?
Não era tão velho assim. O seu tempo de vida não é diferente? Então é isso, ela deve ter feito a conta errado. Nem tudo tem de ter um fim, né?

(silêncio)
Voz fica rouca, ela engole em seco e suspira.
Não quer chorar.

Ainda é muito nova, mas já é mulher e sente com um orgão que a gente usa pouco, o coração e este por sua vez vem nelas com um acessório extra, a tal intuição.

Foi assim que ela entendeu tudo.

Não sei o resultado. Mas ela deve ter chegado em casa e saído juntos pra passear.
Devem ter conversado muito e ela deve ter sido muito carinhosa.
Pegado ele em seus braços e se sentido meio mãe, deve ter tido aquela sensação que só eles no mundo inteiro estavam vivendo aquilo.

Ficou feliz.? Ficou triste?.
Na verdade acho que ficou os dois ao mesmo tempo.
Deve ter feito um monte de perguntas a Deus já que ele devia tá por ali mesmo e ficado calada depois.
Imagino ela pensativa, agradecendo a esse nosso Deus invisível algo que ela não sabia exatamente o quê.

Deve ter abraçado seu cachorrinho e deve ter dormido e não ouviu a resposta, mas com certeza sentiu o seu perfume.

É o que eu imagino.

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