A dor na palavra

Minha irmã tem um Blog e postou lá um texto onde relaciona trabalho e dor.
Ela, com sensibilidade, viu separado, o que aparece junto na palavra "trabalhador".

Interessante.

Depois, por acaso, para quem acredita, aparece uma imagem na internet sobre isso quando eu tava vagabundando por lá.

Era um quadrado negro, em cima a palavra "trabalho", mais abaixo a direita, o artigo "a" e a palavra "dor".

TRABALHA
A DOR.

Ontem foi dia do trabalho.

Pra mim que tou de férias chamou a atenção. Já trabalhei muuuiito no dia do trabalho e as vezes o dia não costumava dizer nada de tão mais assim porque eu tava mergulhado no centro dele, no centro daquele tipo de dia: um dia de trabalho "normal".

Percebi, ontem, que o primeiro dia de maio, podia ser mais um feriado, desses milhões que a gente vê passar e que as vezes gente nem pensa: por quê que é folga mesmo?.

Será que é folga pra a gente perceber a dor? a dor do trabalho injusto, daquele trabalho que não acrescenta e que explora?

Dor que pode ser percebida pela falta dela neste dia?

Igual a piada do cara que de tanto carregar uma cruz no ombro esquerdo, ficou com uma marca funda que nem a percebia mais e no dia em que perdeu a causa, quer dizer, a cruz e começou a sentir dores. foi ao médico e nada, até que resolveu voltar pra ela e aí, que nem um viciado, ficou "bom"...

Se cada dia mais coisas são adicionadas a gente sem que se peça, se toda hora descobrem itens "essenciais"a nossa vida, se arranjam mais e mais formas da gente "mais valer" a este "nosso" mundo mundializado, o que é que eu tenho a ver com isso?

Todo dia parece que nos perguntam: Como você conseguia viver sem isso, como antes suportava a dor de não ter algo???

Ninguém pergunta: Como você conseguia viver sem isso, como antes suportava a dor de não ser algo???

A dor fabricada, comercializada, vendida e colocada no mercado da nosso hábito de forma as vezes tão subliminar, tão disfarçada no lazer e no trabalho, vira uma cachaça que a gente tem de beber (que nem na música de Chico buarque).
As dores modernas se tornaram tão comuns, que passaram a ser "assim mesmo...", parece que as vezes a gente não pode escolher de tão grudadas na nossa rotina que elas estão.

Uma dor em especial me doí mais, a dor da banalização da vida e dos valores humanos, dor essa que cola no mundo e a gente nem a percebe mais como algo que é separado dele, esse mundo aliás que está sob controle...

Será que tenho o direito de escolher que cachaça beber na fábrica moderna da dor?

Será que pode ser a minha cachaça artesanal ou tem de ser a cachaça do mundo, este, que nos vendem e que eu tenho de bebemorar?

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