Cara amarrada...

Cena 1:
-- Que cara é essa?

Depois do sorriso, do cheiro gostoso do perfume, da sensação de leveza, do oi, e do tudo bem, foi a primeira coisa que ela disse assim que entrou no carro.
Aí eu percebi que não estava sorrindo. tentei ainda dar a ordem para minha cara, que não cooperou muito e rolou apenas um meio sorriso só com os lábios.
Acho que não convenceu muito.

-- Tou dormindo muito tarde e acordando muito cedo. não sei o que é...

Desculpa da hora. Ela me olhou um pouco. Não adianta. A mulher é muito melhor equipada para essas coisas.

Com naturalidade ela pesou tudo e decidiu. Deve ter durado 1 mim, talvez 2 no máximo. Fez que sim com a cabeça e meio-sorriu também.
Me passou uma sensação de que tudo passa.
Com simplicidade passou também pra outro assunto e focamos no que a gente tinha de fazer.

Organizou tudo. Ria, mas cortava os delírios.
Boa a sua noção de tempo, de estética, de progresso, muito prática e feminina. Quase perfeita.

Cena 2:

Chuva. Olhei o painel e as janelas. Ainda bem que tava dentro do carro. Agora era fácil, só tinha de sobreviver ao transito e chegar logo em casa.
Me olho no retrovisor. Sério pra caramba. Em que penso tanto?

Preciso escrever com urgência. Tenho de desopilar. Estou muito cheio de impressões. Elas precisam e tem que ir para fora. Pro mundo. Preciso criar as pontes.

Depois tratarei de me concentrar em outras coisas que me compliquem menos, ando muito desligado das minhas obrigações e solto...

Me esforçar mais. Ficar de olho. Sou eu que me conheço e sei que como sou:

Pés as vezes ficam no chão, mas a cabeça é um avião.
Nas nuvens. Pois é. Nas nuvens.

Ri pensando em mim, ainda tenho que evoluir muito.
Vou ficar quieto e fazer o que sei de melhor. Observar e ir aprendendo.

É mais jogo.

Ah sim, a música:

Brigado aí pela música Cara Valente, de Maria Rita, caiu perfeita pro texto.

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