A chave

De novo.
Vi na net esse também e como era sobre coisa que pensei hoje, então com o devido pedido de permissão virtual, reproduzo aqui o texto e indico a fonte.

Parabéns a quem escreveu.
Ah sim a julgar pela gíria devem ser portugueses...

http://www.forumdafamilia.com/pensamentos/felicidade.htm


"A FELICIDADE E A INFELICIDADE

A felicidade e a infelicidade são dois conceitos profundamente subjectivos e muitas vezes a sua definição depende das condições físicas e/ou psíquicas do momento.

Quero dizer que tais conceitos variam de indivíduo para indivíduo e para o mesmo, podem variar conforme as circunstâncias.

Vou contar duas pequenas histórias que ilustram isto mesmo.

Uma rapariga muito nova escreveu: O que é a felicidade? Para mim, felicidade é poder chegar a casa de madrugada bem alta de uma festa e não ter à minha espera o pai ou a mãe que me repreendam; é ter bastante dinheiro no bolso para poder gastar no que me agrada; é ter amigos «fixes» com quem possa passar bons momentos, saboreando um drink até chegar à euforia sem atingir a embriaguez; é poder fazer férias com as(os) amigas(os) sem ter de dar satisfações a ninguém do quando, do como, do onde. Estas palavras terminavam com a assinatura : “15 anos – infeliz”.

A outra carta era noutros termos e de uma rapariga da mesma idade. O que é a felicidade? Para mim felicidade é poder ver, ouvir, falar, andar. Ver as belezas que me rodeiam e são tantas! Ouvir a conversa dos amigos, os seus desabafos e receber, por vezes, os seus confortos; é ouvir música que me agrada ou simplesmente sentir através do ouvido a presença dos outros; falar é poder comunicar o que me vai na alma, é poder partilhar com outra pessoa os nossos êxitos ou fracassos, as nossas tristezas ou alegrias; andar...

quanto a isso nada posso dizer pois sou paralítica desde tenra idade. Estas palavras terminavam com a assinatura: “15 anos – feliz”.

Dá de facto para pensar no profundo contraste entre estas duas jovens que encaravam a vida por prismas diametralmente opostos. A primeira fazia consistir a felicidade em futilidades e a sua vida era oca e vazia de sentido, o que levava a considerar-se infeliz. A segunda olhava para as coisas boas que possuía, esquecendo a sua enorme carência – não poder andar; mesmo assim considerava-se feliz.

E nós? Qual o modelo que nos serve? O da primeira ou o da segunda? Se for o da primeira, paremos um pouco a reflectir para ver se a nossa infelicidade também está alinhada pelo seu prisma – gozar, ter, satisfazer caprichos, saciar a vaidade. Se nos identificamos mais com a segunda não esqueçamos que, mesmo no meio de algo menos bom que tenhamos ou que nos possa acontecer, há muito de bom que podemos e devemos apreciar e valorizar. Não façamos como o optimista e o pessimista: o primeiro ao olhar para a garrafa do bom licor já em meio exclamou, com olhos brilhantes: “que bom, ainda está meio cheia”, enquanto que o segundo comentava, com ar sombrio: “que horror, já está meio vazia”.

Assim a infelicidade deixa de existir para nós, pois sabemos olhar para o que temos, mesmo que seja pouco, esquecendo o que nos falta, mesmo que seja muito.

Maria Fernanda Barroca"

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