A grané...

Ia mesmo escrever outra coisa.
Na verdade ia terminar dois rascunhos que estavam na lista.

Mas comecei a ouvir música do interior, forró e conversa.
Era bate-papo, de um músico e um jornalista, mas dava pra ver que os dois são gente que gosta dessas coisas que estavam falando, de sanfona, oito baixos, Sivuca, Dominguinhos, Chiquinho do Acordeon, Zé Calixto, Sanfona, Festas de São João e até de de valores que no início eu achei que eram "só" nordestinos.

Parecia até que estavam tomando uma numa venda do interior.
Interior de um tempo diferente, parece.
Não sei porque pareceu fora do presente.
Deu essa impressão.

Pareceu que os sentimentos, valores, sensações estavam bem guardados naquele sentimento musical misturado tudo num espaço sem tempo.

Deu saudade, nem sei de quê.

Entendi mais tarde quando vi, na assinatura de um amigo meu, uns versos de Luiz Gonzaga, que com uma facilidade incrível explicaram direitinho a minha impressão.

Ele "simplesmente" traduziu aquilo misturando som e letra, no final parecia música, mas no caso dele era mesmo poesia com alma tirada do mundo.

Nem precisou escrever mais nada. Passei a palava e o pensamento pra ele cantar, ou declamar, nesses casos não tem diferença...

"Artomove lá nem sabe se é home ou se é muié
Quem é rico anda em burrico
Quem é pobre anda a pé

Mas o pobre vê nas estrada
O orvaio beijando as flô
Vê de perto o galo campina
Que quando canta muda de cor
Vai moiando os pés no riacho
Que água fresca, nosso Senhor

Vai oiando coisa a grané
Coisas qui, pra mode vê
O cristão tem que andá a pé"

(Estrada pra Canindé - Luiz Gonzaga)"

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