A direção do trem

Operário conserta telhado e mira o mar. Ribeira, Salvador - BA.
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O cara ia falando na boa, era uma entrevista oficial, certinha.
É sério esse movimento.
A repórter dizia mais de 1000 integrantes e espalhando.
Princípios a serem seguidos, símbolos, locais de encontro e tudo o mais...
Parece que começou com uma crise, no caso do cara pelo menos, ele teve uma crise total de stress e baixou na clínica médica e quase se deu mal. Mas saiu e se descomplicou.
Ficou explicando como conseguiu para outros companheiros de piripaque.
Foi assim até surgir a idéia de juntar a tribo numa de buscar uma saída.
É assim: Para não voltar aos problemas eles simplesmente pararam.

-- Pararam o quê?
-- Tudo.
-- ?
-- Resolveram não fazer nada.
-- Greve?
-- Não cara, eles se encontram e não fazem nada. Daí o nome do movimento.
-- ??
-- Nadismo.
-- ???
-- Eles marcam encontros em parques e lugares assim e levam esteiras, sentam ou deitam e respeitam a regra de fazer tudo antes, porque ali no encontro não fazem nada.
-- Hua hua hua
-- O símbolo da galera é uma pirâmide ou é um cubo gigante, algo assim, de modo que possa ser visto por todos sem esforço.
-- Colé...?
-- E um sapo sorridente e relaxado...
-- kkkkkkkk
-- Me disseram depois que tem uma espécie de livro guia também com a coisas que você deve fazer. Mas adivinhe? As páginas vem todas em branco. Afinal é para fazer nada...
-- Rs, rs...
-- O Nadismo é então o contrário do Tudismo em que a gente vive, entendeu?
-- ?!
-- Nunca tinha pensado isso assim. Até que faz sentido.
-- Pois é...
-- Tem outros movimentos assim no mundo, todos mais ou menos numa linha de questionar o nosso conceito de "normal", a modernidade, os estilos e os efeitos disso na nossa vida e no próprio planeta.
-- Parece engraçado e maluco, mas parar conscientemente é difícil. Exige reflexão e capacidade de se importar. Com si próprio e com o outro. Acredite.
-- Que viagem...
-- Te digo uma coisa: é mais fácil acreditar no humano assim, se reinventando, tentando mudar e acertar e tendo também um pouco de humor, porque sem humor, não dá não.

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