O almirante negro

João Cândido Felisberto, o 'Almirante Negro'

João Cândido Felisberto, o 'Almirante Negro'

Nunca tinha ouvido falar dessa história.
Claro, deve ter zilhões que a gente não conhece também.
Esta pegou a minha atenção porque faz parte de uma história do Brasil que pra variar eu não aprendi na escola.

Existe um filme sobre isso, que foi escrito e dirigido por Marcos Magalhães Marins.

http://www.memoriasdachibata.com.br/

O almirante negro foi o principal líder da Revolta da Chibata, que aconteceu em 1910, no Rio de Janeiro.
Foi um levante (revolta) de marinheiros e reivindicava o fim do uso da chibata como castigo para os oficiais da Marinha brasileira.

Acredite, usavam mesmo chibata (chicote, açoite, relho, flagelo..) para castigos físicos.

Olhe que apesar disso ter sido abolido na Marinha do Brasil um dia após a proclamação da República, acabou sendo restabelecidos no ano seguinte em 1890.
"Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas no mínimo."
Os marinheiros nacionais eram quase todos negros ou mulatos e eram comandados por uma oficialidade branca.

O levante durou apenas seis dias e foi duramente reprimido.

"...Ao todo, 2 mil marinheiros participaram do levante na baía de Guanabara e ameaçaram bombardear a cidade, que era capital do Brasil, caso os castigos físicos não cessassem.

No desfecho da revolta, o governo brasileiro se comprometeu a acabar com as punições físicas, mas, mesmo assim, os marinheiros foram detidos. No decorrer das tensões, seis deles foram mortos..."

Hoje, olho o jornal e a noticia sobre este assunto aparece assim:
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac211420,0.htm

"... o governo finalmente concedeu anistia nesta quinta-feira, dia 24, ao principal líder da Revolta da Chibata, João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", 39 anos após sua morte. Além dele, outros 600 marinheiros do levante de 1910 receberam anistia..."

Detalhe:

"A lei teve um artigo vetado: o que tornava automática a concessão de reparação aos descendentes dos militares da Marinha por parte do governo.

O argumento foi financeiro: de acordo com a equipe econômica, o custo total das indenizações poderia passar de R$ 1 bilhão. Menos do que os R$ 2,4 bilhões que foram pagos em ressarcimentos por causa da ditadura militar.

Um gasto que a administração federal não estava disposta a assumir nesse momento."

E quando a gente vai pesquisar, descobre isto:

"...A 4 de dezembro, quatro marujos foram presos, sob a acusação de conspiração.

Em meio a uma forte onda de boatos, isolados e desorganizados, os fuzileiros navais sublevaram-se na ilha das Cobras (dia 9 do mesmo mês), sendo bombardeados durante todo o dia, mesmo após hastearem a bandeira branca.

De seiscentos revoltosos, sobreviveram pouco mais de uma centena, detidos nos calabouços da antiga Fortaleza de São José da Ilha das Cobras.

Entre esses detidos, dezoito foram recolhidos à cela n° 5, escavada na rocha viva. Ali foi atirada cal virgem, na véspera do Natal. Após vinte e quatro horas, apenas João Cândido e o soldado naval Pau de Lira sobreviveram.

Cento e cinco marinheiros foram desterrados para trabalhos forçados nos seringais da Amazônia, tendo sete destes sido fuzilados nesse trânsito. Apesar de se declarar contra a manifestação, João Cândido também foi expulso da Marinha, sob a acusação de ter favorecido os rebeldes.

O Almirante Negro, como foi chamado pela imprensa, um dos sobreviventes à detenção na ilha das Cobras, foi internado no Hospital dos Alienados em Abril de 1911, como louco e indigente.

Ele e dez companheiros só seriam julgados e absolvidos das acusações dois anos mais tarde, em 1 de dezembro de 1912."

O líder político João Cândido morreu de câncer em 1969, aos 89 anos, no Hospital Getúlio Vargas, Rio de Janeiro.

A uma boa descrição dessa vergonha está neste link aqui:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Chibata

É isto...

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