Passo

Pés. Sandálias. Sol.
Paralepípedos.
Sombra querendo ir para o lado direito.

Meus olhos riem de mim,
Miram em vez de em frente,
Abaixo.

A camisa desce dos ombros para a mão.

Uma ave passa
O som fica comigo
A sombra voa junto
Dos meus passos.

O barulho dos pássaros

Folha solta.
Pedaço de osso seco.
Raiz.
Galho.

Anda a natureza também.

Guimba de cigarro seco e amassado.
Tampa de plástico amarela.
Embalagem de doce.
Frasco de remédio.

O cachorro rasga o saco.
Quer comida.
No meio do lixo acha o papel que pode resistir ainda 6 meses.

O pano de 1 ano,
O cliclete de 5,
O nylon mais de 30,
O metal de 100.

O plástico de mais de 100,
O vidro de 1 milhão de anos.
A borracha de tempo indeterminado

O cão come feliz algo que achou nos (nossos) restos.

Minha sombra pisa o moderno.

Procura idéias no chão.
Quer tropeçar em todas elas.

Me surpreendo.

Resolvo tirar as sandálias que eu visto
E andar com meus pés no chão.

As pessoas me olham.
Será que me vêem?

Termina a rua começa o asfalto.

Paro.

No sol eu penso no que eu sinto.
E em que caminhos eu quero andar.

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