Praquel

Me empresta seus olhos?

Não.
Mas troco.
Pelos seus.

Dou desconto.
Financio. Divido em parcelas.

A gente fazemos negócio.
É bom pra mim enxergar de novo.
O novo.

Preciso de olhos que andem
O mundo
O campo grande
E contem noticias dos seres de lá

Quem sabe né?
Com eles quem sabe a ficha caia?
Alguém veja que quem sorri são os olhos.
Só que da alma.

Seus olhos são leves
E o vento leve leva fácil
Ele tem sonhos na sua mistura

Olhos que teimam em brincar

Meus olhos são muito sérios.
Vários graus de utopia
Os óculos não corrigem a critica aguda

Nem a mistura de otimismo com indignação e ironia
Nem o desejo eterno de mudar as coisas.
Nem dá pra ver atrás dessas lentes a criança

Ela que desajusta o foco.
Da realidade e me salva.

Talvez você entenda quando a gente se encontrar
Com os olhos trocados

Pelo canto dos meus novos olhos
Você vai ver eu sorrir e fazer festa
Vai ser engraçado você ver nos outros uma parte de você

Ah sim
Pode chorar muito com eles
Eles precisam

Vou tentar perguntar aos seus
Sobre o que eles querem escrever
Ai depois eu devolvo.

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