Che

A foto na revista era de um momento dele.
Tava deitado em Machu Picchu
Na expedição que fez de moto as ruínas

Vi outras depois.
Uma inclusive parecida
Com ele deitado no chão da casa da familia dele
Do mesmo jeito

Os olhos teoricamente no céu
No ângulo dá pra ver a rua e as casas na parte de baixo da sacada

Mas por incrível que pareça
Acho que é a imagem das ruínas a que diz mais sobe ele.

Além do básico que aparecia:
Ele deitado. braços cruzados atrás da cabeça como travesseiro.
Pernas uma sobre a outra.

Tinha naquela postura os olhos refletindo o mundo
Tentando acompanhar o espírito
Que não cabia em lugar nenhum

Dá vontade de entrar na foto pra perguntar:

Você olha Che,
com seus olhos meio abertos, meio fechados
o que há de livre nesse pedaço de ar?

O que mar é esse que você tanto respira
enquanto sente a terra mover?

O que você medita?

Em que mundo,
Você deixa o seu olhar perdido?

Onde você vai enquanto se deixa aqui, Che?

Sem esperar respostas, saio da foto, volto e pergunto a mim mesmo:

E nós ?
onde nós vamos,
se é que sem discurso vamos.

Nós que quase não conseguimos ficar de pé,
na fábrica do mundo,
que nos monta em série,
tão racionais e
rápidos?

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