A rede

A figura molhada leva no ombro uma rede,
vai devagar,
descobrindo o lado de fora
como se explorasse
a si mesmo.

Tão na natureza
que parece em outro mundo

O homem faz a curva,
para,
joga
rede no mar,
e puxa de volta
braço a braço.

Olha cada coisa,
cata pedaços
que faltam nos seus.

Sem avisar fica quieto,
imóvel,
descobre
admirado uma linha ligando
suas mãos, pés, nós, água, céu e areia,
vê que segue o fio de uma rede (maior que a sua)
maior que o mar.

Olha pro céu
imaginando lá em cima
na superfície
o grande pescador.

Procura ansioso com seus olhos de criatura
o seu mundo velho,
só que agora ele é menor que um grão
e não sabe onde o deixou.

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