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Olho na cara,
encaro,
no olho
a mentira.

Ela tesa,
devolve olho
não dá braço
a torcer,
a miséria.

Mas dá mão
e me arrasta
pro mundo refletido
dela.

Lá de dentro orienta meu olho pro lado de fora da moldura
me diz baixinho no ouvido:
"nenhuma verdade é tão solida assim,
que com jeito não amasse
mude cor, cheiro, calor."

Tudo é jeito
de jogar na parede certa
o barro das nossas palavras bem mexidas.

Ela agora me olha sério,
pergunta se tou mesmo pronto
pra desconstruir
o que o meu reflexo
esconde.

Respiro.

Que é do mundo assim,
se não dá pra confiar nem num simples
espelho?

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