Salto

Enquanto bebo água
ele olha pra mim,
quieto.
Vejo quando mexe as asas.

Tem um tique esse,
mexe direto, aquece que nem de lutador
de box.

Já eu, copo na mão,
pra não assustar,
tento não existir muito,
boto meu peso no lado que ele está,
não respiro, nem mexo.

Ligado no movimento
ele inclina pro meu lado,
o corpo, pescoço, bico
e com o olho pequeno pergunta
se eu também viro corpo e alma,
pro lado onde está quem
eu quero enxergar.

Salta,
pequeno,
abre-se,
plana,
põe na Eternit os pés de palito
e olha para cima onde eu estou.

Ri do meu espanto,
coça a cabeça (com o pé)
vai ver, pensando como é a vida
daquelas criaturas presas no chão das janelas.

Não sabe que eu fui de carona
e olhando meu corpo lá em cima
me pergunto
a mesma coisa.

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