Com blues

Ouvindo poetas
esqueci minha alma,
em algum lugar

Dessa vez não sei

Enquanto me procuro
meu corpo encontra pessoas
fala a língua delas
e todos se entendem muito bem

Sem tempo pra sentimentos
ninguém nota
conversando comigo minha ausência

Quando finalmente voltamos juntos
minha alma, meu corpo e eu
olhamos o ponto
(da vida, da dor, do livro?)
em que pedimos pra parar e descer

Espero sem paciência
o hábito passar
no seu carro sem-movimento
onde sou obrigado a pegar carona
e me simplificar pra nada

Troco a roupa,
o nome,
as tintas,
e a noção de tempo,
não adianta

Ponho um olho em mim mesmo
e vejo a minha fome diferente
meus desejos iguais

Admiro esse teatro grande
a mistura as luzes,
os espaços
as cruzes
o cenário cheio de sinais

Falta o quê nessa peça?

Talvez mais consciência de personagem
e mais desejo de existir individualmente
na minha história
sendo eu mesmo...

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