Passagem

Três horas na minha manhã
saio sem luz
empurro o remo
com a minha respiração devagar

Sem camisa
visto frio, água e vento
barulho, postes, casas,
tudo que fica pra trás

Não racionalizo o medo
há coisas a fazer no mar
no meio da madrugada,
enquanto o mundo vai virando um ponto

Numa linha imaginária
em silêncio
sobe, desce meu barco
vai em frente pelo meu braço
seguindo alguma vontade

Fico mudo,
ouvindo mar-vivo
respirar.

Jogo minha intuição presa na linha
no meio da noite
sem saber o que vou pescar
além de mim mesmo

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