Silêncio que precede o esporro

Hoje meus colegas de prefeitura me lembraram toda hora um pedaço dessa musica do Chico.

Incrível, Deus, como seu povo consegue cada dia se afundar mais, se desintegrar mais e se desvalorizar mais ainda.

As vezes a gente tem de fazer força pra acreditar que já foram gente, antes de se vender, se corromper, se apagar e ainda pregar uma vida diariamente assim...

Homenagem ao malandro

Chico Buarque, 1977-1978 (Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque)

Eu fui fazer um samba em homenagem
À nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer
- não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central

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