Nem mesmo a chuva...

Subo a ladeira contra o vento
levo junto
meus passos

Chuva me atravessa sem pressa
muda o meu caminho
as sensações da minha pele
e o tempo

Os dois querem ganhar de mim,
chegar primeiro
tocar tudo,
antes do meu olhar

Essa chuva de mãos pequenas...

Aperta botões dos seres ocupados
quer mudar o seu canal,
sua direção,
sentido.

Mas eles são duros
não querem distrair
com nenhum movimento
seus olhos fundos

Esperam ela passar
mas ela é teimosa
e entre um lugar e outro
vai convidando os que estão em baixo das telhas

As vezes pela primeira vez
a usar
pousar,
os olhos no mundo.

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