Exercício baseado em filme

Parece um turista, o senhor de altura média e um pouco gordinho, descalço, calças com a bainha dobrada para não molhar, andando sozinho, bem devagar na praia, olhar longe, nem parecendo estar ali.

A praia deserta de gente, cheia de pedras imensas, contrasta mais ainda a figura do homem e a distancia, ao mesmo tempo que diminui tamanhos, realça as proporções, fazendo do turista uma formiga e das rochas, montinhos no mar de areia.

Parece que em alguns momentos o olhar do homem ameaça cair no mundo e ele antecipando um choque, não para de vez o andar, mas diminui bem, se preparando aos poucos.

Ele tenta entender alguma coisa, está mais dentro de si mesmo que na praia e procura peças pra encaixar e montar um quadro com sentido, está absorto completamente,

De repente para e entra na realidade de uma vez e se perde, dá pra ver sua tentativa de ajustar um mundo no outro.

Levanta a cabeça olhando o tamanho das rochas e os montes, depois baixando, vai olhando o espaço a frente e tendo a sensação que aos poucos se movendo, vai também mudando o status das coisas.

É a relatividade de tudo, que o poeta Pablo Neruda na cena do filme "O Carteiro e o Poeta" tenta entender comparando as relações na sua vida e no mundo ao redor,

A impressão maior é que diante do absurdo da vida só a razão não é suficiente e muito menos ainda para um poeta.

(Nesta parte o diretor vai orientando o olhar da gente para cada vez mais longe da cena indo para o meio do mar enquanto não perde de vista o poeta cada vez menor diante da praia, das montanhas e do mar)

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