Pelo vidro

Sinal fechado, sem falar nada
vem com os pés negros descalços e cocos nas mãos.

Sem nome,
vacila um pouco na frente dos carros
mais um malabar apresenta show se equilibrando
com três cocos no palco de miséria que virou o meio da rua

Deve ser novo nisso,
quase não vê o bando de carros andar, buzino pra acordar ele
e com a mão fora do vidro ponho rápido moedas nas mãos negras para ver mais um menino invisível sumir no retrovisor

Sangue bom! vai ajudar...

Atrás do vidro escuro fico quieto, faço sinal que não dá
sabendo que mesmo desejando boa sorte,
deixar nas mãos distancia e vergonha
não muda nada...

Compra pra ajudar, Tio?
Patrão, com fome, junta ai pro café...

Rezei. Nem sei o que rezei.
deve ter sido contra a ignorância oficial reservada
automaticamente deixada no meio do caminho de todos nós.
muito mais injusta por não precisar ser assim

Abençoado meu aniversário é hoje...

Nem tinha importância se era verdade
mas pensei na mesma hora no futuro
na droga da cidade
na injustiça de um mundo que pode ser muito diferente

Pedi a Deus um caminho diferente, uma saída. uma pausa

Segui pensando em quantas haviam para eles.

A sinaleira abriu.

Comentários

Postagens mais visitadas