O atirador

Meu caderno é um fuzil
com que atiro sem/com seqüencia
pedaços meus.

Apoiado no muro branco
me defendo dos que estão do lado de fora
e dos outros que tenho em mim.

Aperto o tal gatilho quando me apertam insuportavelmente no chão
instintivamente, objetivamente, perifericamente
miro rápido peito querendo coração.

Acertado alvo vermelho.

(suspiro)

Respiro um pouco na luta eterna de defender o meu eu combatido.

Abro meu espaço através de falas,
descarrego discursos no desconhecido
e mesmo ferido
tento não por na minha arma de papel o que há de pior nas palavras.

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