Fissura

(Vi de noite na rua)

Não acende a droga
do fósforo
na chuva.

Não queima as folhas, as horas,
o papel,
a curva.

Não para o vento
não acende a chama,
não funciona a concha
das mãos no meu canto sozinho.

Mas de resto
no tédio igual
dos que não sentem nada,
está tudo bonzinho.

Carros com vidros escuros
chegando pra pegar as namoradas
na saída do cursinho.

Playboy malhando nos brinquedos do parquinho
barulho do baba da quadra molhada.

Menino cheirando cola no banquinho.

Eu diferente
no lado mais escuro da praça
oferecendo à noite que me acompanha
o velho ritual.

Espalho folhas mágicas,
ilumino o rosto
acendo outro gosto
nesta terra sem sal.

As vezes não pega a P...
as vezes cega a coisa...

Iiii—ssss--sss...
a--go...
a---go---ra...

Abro a porta da fissura
na realidade
e pas--so.

Alado,
vi--a--jo,
pro--cu--ro entre as velhas estrelas lentas,
a minha cura.

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