Liberdade

Você não acredita:
segunda de manhã, no Iguatemi, às seis,
na rua do frio de fora do vidro,
eu já te peço ajuda.

Sei que você não entende
mas me enxergue
se puder fazer o
favor.

Na curva da sinaleira
empurro sem pressa nenhuma minhas pernas negras
na roda do mundo da minha cadeira.

Na borracha molhada do pneu
fecho apertado
os dedos de uma mão
e de baixo pra cima abro a outra pra você.

Tento não assustar
me visto mais ou menos bem
pra você me olhar.

Insisto. Eu sou gente.

É, infelizmente existo, bem aqui na sua frente.

Não jogue o seu carro, não passe correndo, não seja mais um
que finge que não estou aqui.

Use o coração que você ainda tiver e que só estamos em cadeiras e veículos diferentes

Pelamordedeus.

Não me interessa o motivo, nenhuma resposta é suficiente pra mim.

Sabe o que eu mais queria?

Apenas sonhar a minha vida inteira uma história e não acordar assim

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