Ódio

O cachorro atropelado
os expostos
o doidão
a carne negra
e a maluca

Dizem não
pra quem quiser ouvir

O cachorro atropelado no meio da rua
os expostos ao tempo nas sinaleiras
o doidão rico querendo pegar a lua
a carne negra dos largados nas praças
e a maluca pobre meio nua

Dizem pra não vacilar.

Os triturados nas escolas,
aprendendo a repetir sem parar
lembram para não estacionar
aqui

E a cidade segue separada para normais
e continuamos dizer não aos diferentes
mesmo que não possam ouvir

Não somos, todos nós, portadores de necessidades especiais?

A televisada rotina
os exércitos vestindo o uniforme vazio da moda
os assalariados a se curvar
e a pública obediência quase bovina

Lembram todo dia ao meu ódio sadio

porque não quero esta fácil paz

de viver sem pensar.

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