Um homem dois capacetes


Lata de refrigerante com canudo
saco plástico de supermercado
pedaços de papel
carros desintegrando na frente da casa dos donos

Eu passo

Sem camisa
em sentido contrário
ao destino normal do trabalho
que a maioria vai seguindo

Procuro
a nua
manhã escondida

Um senhor de óculos também passa
mas evita o meu quadrado
porque minha existência ali
atrapalha a solidão dele

Tanta gente se esquecendo na vida

Sigo
para minha tribo
celebrando de manhã cedo o espaço
simplesmente passando por ele

O dia que começou frio conversa comigo
fala do barulhento silencio das coisas
deixa comigo um pouco de sol
pra quando eu quando voltar para casa.

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