Não é poesia

O carro se dirigiu até o trabalho. Acho que sozinho. Os mesmos lugares passaram por mim. O homem que mora em baixo das árvores do lado esquerdo da rua tal. Os buracos de sempre da rua qual. As pessoas de sempre do ponto igual.

Havia uma trilha. Sonora. Clássica. Fazia tudo ficar ainda mais lento e ainda mais cru. Via em detalhes o sofrimento brilhando no sol da rotina das pessoas.

Dor. Havia uma cor. Indefinida. A paisagem me guiava com um fio. Para onde?

A velocidade em marchas me atrapalhava os pensamentos. Porque tudo não segue sozinho? Quero sintonizar minha música em paz. Fotografar o caminho. Gravar os pedaços do mundo que se cola em mim enquanto eu passo.

Em frente. Obrigado. Tanta coisa para fazer e a gente empurrado. Solicitado cada dia mais. Nos entregam cada dia numa bandeja menor Sem sal nenhum.

Falo com pessoas engatilhadas. Estão prontas. Já sabem o fim. Da novela,
Do expediente, Do mundo, Do mês, mas assistem mesmo assim...

Felizes vidas automáticas. Reclamam do mundo que não quer ser mudado

Seguem todos para seus assentos marcados

Porque tão perdidos meu Deus

Este mar de sãos?

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