Pitanga

Não comprei folhas de pitanga na hora que passaram vendendo
não fui a igreja do Bonfim de manhã
fiz minha prece
andando

No último dia do ano
subi o mundo sozinho
de camisa na mão
olho comendo cada detalhe ainda dormido do sol de ainda nem seis da manhã

Vendo na ruas
o quanto temos de repetição

Como somos frágeis
(e gregos)
na nossa luta contra tantos deuses
dentro de nós

Cabeça na filosofia
e pés desviando
do lixo de 2012
nas portas

Mais barroco impossível a situação

No meio do bom dia a quase todos
ouvi de uma velhinha:

"Feliz ano novo para o senhor também" 

Parei pra entender o momento:

Aquela senhora toda arrumada tão cedo
era mais independente, viva
que a maioria dos zumbis
que passavam por mim na ladeira

Ela ia colorida enfrentando o mundo
com um coração educado
e um sorriso tranquilo
nos lábios pintados

Ainda existe gente assim

Enquanto voltava pra casa

Agradeci.

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