Flash

Ficção.

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Ano incerto
Homem andando na rua até entrar no bar com os amigos

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Escrever
precisava escrever
rápido
não queria podia querer fazer outra coisa

- Mais uma?

O quê?

- Cerveja meu filho, alcool, vida. Sexta feira, mulher, amigos, porra em que planeta vc tá?
- Ô chico mais uma aqui. Velho, vc viu aquela more...

Não ele não viu. Nem ouviu. Nem sabe se bebeu, se viveu

Nem pensava mais, vivia, sentia, imaginava só

Saber que estava dentro de um filme que ele mesmo estava fazendo 
só aumentava a agonia.

Olhos. Cenas inteiras em detalhes. Movimento. Cheiro.

Cheiro? Filme não tem cheiro.
Acorda que vc ta ficando doido.
Cerveja.
É isso,
Cerveja, preciso.
Gelada. Muito gelada.

(pega a garrafa, aperta na testa e fecha os olhos sofrendo)

Todo mundo ri.
- Mais uma... Essa aqui já achou o dono...
 Mais risada

Tudo gira.

Mais um casal chega no clima e cai na esculhambação também

Graças a Deus.
Algo pra focar.
Preciso de algo pra olhar
preciso ver do lado de fora

Os amigos botam pilha,
todo mundo bebâdo.

Ah, se fosse só o momento. Como ele queria. Depois ressaca. Dor de cabeça, Barriga, Boca seca. Um banheiro que salva a gente. Um monte de urina e acabou.

Aquilo ali não.
Não terminava.
Como eles não percebiam?

Calma. Respira. Calma.
Ria que vai dar certo e passa

Quer subir na mesa e gritar
Deus.
Que agonia é essa de se entender?

Olha pra cima e ri solto com todo mundo

Ahhhhhhhhh, a alegria etílica dos bebados

Só lembra disso

Depois não sabe. Não sabe mais
o porque
do porre
do morre mais não morre
e desta vez mais cansado ainda
desiste
fecha os olhos sem escrever
suspira
salta de uma vez
pra dentro de si
mesmo
e fim.

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