Seis

Seis
E trinta e três
O caminho já tá engarrafado

Um morador da rua bate pedra numa televisão
Quebra igual o homem das cavernas o que lhe cabe da tecnologia
Mais útil um pedaço de aço
Do que uma ilusão

Os cegos vão passando
Tem pressa de ficar parados nas filas
Na frente das clinicas, laboratórios, pontos e mercearias

Os carros continuam marchando sobre nosso silêncio
Os velhos esquecidos devagarzinho
Os mendigos empurrados pra longe do nosso dia

Os cidadãos estão sobre pressão

A solidão estás nas janelas
A violência aparece no trânsito
Os prédios e as escolas tem cara de prisão

Tudo
Tudo está normal
Ás seis e cinquenta e seis em Salvador

Só a arte salva
De tanta desconexão.

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