La luna sangrante

Quatro e quarenta e oito da manhã de terça-feira de dois mil e quatorze. Subo as escadas para ver a lua aqui em Mont Serrat, na cidade baixa de Salvador, Bahia. Deste continente Brasil que é a minha terra aqui na terra.

Antes de chegar nos últimos degraus ela está lá me esperando.

Ela está do lado esquerdo do céu. Marrom escura, como se fosse café com leite e Nescau. Em baixo a direita tem um estrela forte. A esquerda, mais perto, uma menor. Ao redor um mundo claro, estrelado, cheio de nuvens brancas e convidados.

Em algum lugar lá atrás os cachorros estão doidos. Cantando pra lua que está querendo ser vermelha.

Um coruja branca passa na hora da mesma direção.

As luzes dos postes atrapalham.

Vocês não imaginam como gostaria de estar em Moreré agora, andando na praia, indo para a vila, sem iluminação nenhuma, a não ser as estrelas e essa princesa linda, hoje iluminada, enlouquecendo silenciosamente o coração da madrugada.

Ou na chapada. No vale do Pati. Por baixo. No meio daquela trilha que parece ela sozinha já um trilha na lua. Parece que você está andando lá no astro. Sem ninguém. Nenhum humano no universo todo. Mochileiro na lua.

Não espero que alguém entenda. Mas amo mais que entendo. E a lua racionalmente já é linda imagine emocionalmente, intuitivamente, "coraçãonalmente"...

Não sei se ainda vou dormir mas antes vou me subir de novo e me despedir.
Um dos que eu sou vai ficar lá ainda passeando. Os outros devem voltar aos poucos. Fazendo festa para depois recarregados de magia dormir satisfeitos.

Meu celular não conseguiu tirar fotos. O coração sim.

Por isso essas linhas de lua nessa página branca (que por sinal é virtual, não existe...), as letras pretas e a poesia.

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