2014

Hoje quando subi na laje
para olhar o dia
o vento me disse para não ser mais um a existir no (m)ar

Ele girou a poeira
e desenhou  mensagens com suas folhas
enquanto eu catava a roupa estendida

Falou da paixão
de como ela consome
dá fome
e nos ultrapassa

Contou que ela é a ponte que nessa virada
grita alto para que a gente entenda
que o amor existe (de verdade...)
e  vida não tem sentido
dentro apenas da razão

E me perguntou:

"Porque ao invés de pregar sentidos em nossas portas
não mergulhamos de alma
e tatuamos no corpo da realidade a nossa emoção?"

Sorriu e cochichou que viver
é muito melhor que contar de 2014 as horas
esperar o amanhã
e sua eterna demora

E ai eu sem saber o que dizer
parei
e me entendi como ser humano incompleto

Orei apenas com meu silencio
agradecendo a Deus em todas as suas formas
o presente de poder me reinventar

E desci

E neste ultimo dia de 2014 fui desarrumar o coração, os cadeados e as janelas

E  falar para o mundo de todos estes renascimentos que me contaram do lado de lá.

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