De barros

Nos deslimites dessa palavra
desenho verbalmente
um poema mal criado
sem explicação

Que sai andando
aprontando
e rindo da cara das pessoas

Levantando a pedra do momento
abrindo amanhecer
para ver o que está em baixo

Esticando o horizonte
e fazendo vento

E nessa disfunção lirica afetiva
e com esses inutencilhos
sem nenhuma verdade

Nos dois
poema e poeta
falamos deste jeito engraçado

Reclamando o seu olhar com a mesma falta de cuidado e carinho com o qual o amor
revira mundos inteiros 

Abre a boca
ao mesmo tempo que tira o ar dos seus amantes

Desarruma
Transborda

Dilata as pupilas

Derrama subliminares energias

Esse enorme amor arte
que no fundo da gente
mexe-se engraçado

Que nem o vagabundo do Charles Chaplin
Que nem o louco do Cervantes

Um amor que transmuta espanto em poesia
que fertilizado não dorme
não tem cama

Agradecido por esse traduzir-se em escrita alma

Tá vendo?

Quem mandou ouvir Manoel de barros?

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