Fechado

Tem dias
Que ele aparece na sinaleira perto de casa
Nas esquinas dos carros
Que ainda param no sinal vermelho

Vem primeiro a mão
Apoiada da cadeira de tanto que é estendida
Depois vem a barba sem fazer no rosto gasto que tenta sorrir

É uma mascara
Pedindo

Depois vem o cadeirante
Depois a adaptação de uma vida em assento no meu caminho

Depois vem o humano
Gritando que ainda é humano em meio a nossa normalidade

Fugindo
Fingindo
Passando
Pela
indiferença pública com que tratamos o outro

Dou um sorriso junto com as moedas
Mas nem sei se ele me vê
Dentro na roupa suada
De uma alma secada
De todos dias atrasar a pressa das pessoas

Existindo mas um dia
Contra a parte que lhe cabe
E pelo coração que ainda tem

Todos e cada um dos dias dele.

Comentários

Postagens mais visitadas