Por telefone (tão distante) com pessoas que eu não posso ver

Minha mãe faz aniversário
meu amor esta viajando
tanta gente que eu amo dentro e fora desta cidade distante

Está chovendo o dia
e o meu andar
é quebrado pelo que eu pego no ar

Meu peito não abre
não funciono
coração não bate
sem o que não posso ver

Essas coisas me param no meio do corredor
mudam o meu mundo
é um chão de sentidos que eu caio todo dia

Se eu não pudesse arriscar

Se eu não pudesse riscar
o muro dos dias

Se não puder ouvir o indiferente
duplo sentido
das coisas rindo das nossas explicações

A feira das coisas gritando no ar

Se eu não puder

Me perder
em letras, papel, dor, espanto, amor e poesia

Para que serve a semana
para
sobreviver?

(Meu Deus, guarde meu espanto...)

Me deixe sempre na rua
de tantos sentidos

Entre acasos
que me colocam no começo de manhã
ouvindo o telefone de palavras de Gilberto Gil

Cantando
mais uma vez o que não posso dizer.

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