Indo pro trabalho

Pulo o lixo de ontem
Fico parado no transito
Ouço notícias do rádio
Olho o rosto das pessoas 
Vou zigzagueando
Estudo um jeito de conseguir passar
Tento focar no caminho enquanto passa na janela a indecência dos mosquitos, caramujos, poças, enchentes, sacos, buracos, doenças e o nosso excesso de lixo, carros e gente

Vou me desviando
Mas está tudo ali nos mesmos lugares:

O sistemas pifando pelos motivos de sempre
O nosso jeito de tratar os diferentes
A normalidade fabricada nas farmácias, nos bares e na TV
Os largados no chão
O pouco espaço para muita gente
A confusão do tempo 
Os protestos 
A queda de energia 
Os resultados da nossa corrupção
A crise do excesso ou da falta d'água
O consumismo,
O sinal fechado para os que moram na rua
E um egoísmo aliado a uma fome de status que desrespeita a interdependência que existe em tudo.

O sinal abre

Manobro
Chego no trabalho
Estaciono
Respiro

Admirado o poema ao meu lado solta o cinto de segurança e me pergunta:

Não era para usar o coração?

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