Voltando

Tantas janelas e nada que me desligue

Na minha cadeira em movimento
no mar da estrada iluminada de carros
volto para Salvador

O ônibus é uma cápsula do tempo
dividido em pessoas perdidas no celular
ou dormindo

Enquanto a realidade se mexe e grita coisas
as sereias no vento querem minha atenção

Dizem no meu ouvido para vir lutar
sussurram que se perder no abandono é bom
amam sonho e dispersão

Elas espalham na terra roçada meus olhos,
meu peito deixam nos campos dos seres
nas coisas e vidas escondidas o meu coração
e adormecem comigo na sombra das arvores

Minha alma ganha o espaço aberto
me dá a sensação que ainda não nasci

Ultrapasso na realidade o espaço
e o corredor do ônibus vai se emendando com todas as estradas

A cidade de todos os santos está tão longe
e o tempo parece um ser vivo composto de toda a paisagem

As lembranças são casas pequenininhas em mim
a boiada cercada parece que medem os limites do mundo
e o enferrujado das cercas de arame e madeira seca o que pode existir

 E sem achar palavras
desconfiado do quanto a vida pode ser um poema
fico quieto

E feliz.

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