Depois da sexta

Em um outro sábado
quem sabe?

Eu dormirei na fila do maior teatro da cidade as seis da manhã

Meu cachorro me levará para passear na praça

E eu acreditarei

Acharei menos cruel o plantão das nossas ruas onde se espreme as pessoas adormecidas em bonitas fabricas
para o óleo do sistema não acabar

Qualquer inicio de fim
de semana desses
em uma tarde

Acharei normal a cidade partida
e tanta gente respirando na janela da noite
o que a soma de tantos dias úteis negou ao coração

Quando recriar novamente o mundo (sem alarde...)

Com certeza não vou botar esse dinheiro inútil
este endeusamento fútil
do "ganhar" a vida a qualquer custo

Antes de descansar no domingo

Vou olhar o que espalhei no possível
e diante de mundo novo
procurarei no outro
a minha diferente semelhança como se ele fosse espelho

E na falta de um rosto de Deus refletido
vou me perguntar finalmente

Por que plantar sonhos
e não só
sobreviver.

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