No meu ouvido

Eu sou o vento, não vivo só aqui
e a poesia é pó, poeira
que trago comigo

E não a entendo
mas espalho as sementes 

Eu não tenho mãos

A quem me ouve eu peço

Risquem na matéria do dia o sofrer

Usem suas tintas pretas no alvo
papel mágico 
que marcado
pode amanhecer 

Olhem através de mim
levem o que quiserem
para a areia onde moram as pessoas

Soprem cada um deles
mesmo que sejam tortos os poemas
colem em seus corpos antenas, pontes,
que liguem seus os olhos o extraordinário do mundo 

Lido pelo, fora de moda, alfabeto da intuição

E diga a cada uma delas por favor
que mesmo antes de terminado este sopro

Já somos poucos
muito poucos

Para tanta emoção.

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