Sem cera

Corta os barulhos da noite o silencio que não quer dormir

É um poema 

Ele chega com fome 

Junto pedaços de palavras para o seu café
mas ele mesmo põe a mesa
com o que tiver nos meus armários ou geladeira
e come sem fazer oração. 

Tudo vai ao prato
de doses do que chamam de real, a pedaço se sonho, até chá-de-toda-dor, nuvens escolhidas, confissões, culpas e um pouco de pão 

Na madrugada meu eu natureba cozinha com ele coisas da alma 

Temperos dos espaços entre as linhas do texto com ervas 
usos do sal na poesia do dia a dia

Os cuidados de servir a si mesmo só coisas que também possam ser servida na mesa dos outros 

Bebemos até a garganta gritar
a utopia rasgar o mais seco dos blues
e cair os dois no chão do sono

Como duas crianças

Plenas
apenas

De existir.

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