Lavando pratos

Ponho na mesa do dia
os meus sentidos famintos

Comemos juntos os grão das horas

Partimos o pão

Mas com o vinho do tempo

Enchemos o copo

Sem licença nenhuma

Com as mãos mesmo
e meus dedos de tinta
furo a casca da realidade 
para sugar o poema
que nem gomos de tangerina

E as coisas continuam falando comigo

E eu nunca estou satisfeito

Mas me levanto da mesa

Lavo tudo

E saio do poema

Volto para mim devagar

Tentando aceitar esse morador estranho batendo em meu peito

Não como se apenas tivesse lavado as mãos no tanque do mundo

Mas a alma inteira

e não houvesse nenhum outro jeito.

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