Confissão

Não retiro poema das pedras
como se fossem espadas sagradas.

Não há hora para encantamentos ou dor.

Cavo cada folha de papel com os olhos.

Bato o coração para tirar
pedaços do mundo real.

Crio esculturas de palavras que me arranham os dedos.

E quanto mais corto partes ao redor da criatura presa dentro do meu verso mais perto chego do meu chão.

Eu tateio
cada fragmento
para alimentar esse símbolo fascinante.

E quanto mais ele adquire forma.

Mais perto chego
não da poesia,
mas de mim mesmo.

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