Semáforo

A vida atropelou meu dia de manha cedinho
Jogou meus olhos longe
Montados em seus furacões as pessoas nem viram
Ficaram espalhados na sujeira capital da sinaleira no meio da rua
Meu coração quebrado
A armadura aos pedaços
E minha alma sensível
Apesar de, ou graças ao, meu romantismo muito mal curado, eu sobrevivi
O cadeirante suado que pede esmolas
O jornaleiro explorado
O vendedor de água negro
A menina branca da propaganda de imoveis
Me olharam admirados
Me ajudaram a botar meus pedaços na pasta de couro
E engrenei novamente a marcha para ultrapassar a violência escancarada da realidade da cidade e ir automaticamente para o meu trabalho.

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