A roupa do dia

Vou andando pro quarto

Desligo o celular
a carteira, as chaves, o cartão
e o resto da minha agonia

Retirado as etiquetas
desvestida a fabrica
vou trocando a pele do dia

Ensimesmado, desconectado
deste mundo cru
vou largando em casa

A pasta
a camisa
a calça

Pesa
muito mais
em meus sapatos e meias

O meu eu social carregando o mundo
que os tanto outros restos
da urbana travessia

Boto finalmente no chão o meu pé de asfalto

Não,

Não deveria ser tão difícil ficar nu.

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