Canto do Aquidabã

Eu
tô na vibe do movimento
tentando ver além dos muros dessa prisão

Sou
de me incomodar com o real
lutar com o mundo injusto por outra visão

Passo
devagar armado de poemas

Olho o passado travestido de presente

A nossa pobre gente rica
e a cidade tão dividida

Não sei como nos ultrapassamos
e ainda somos humanos com calor

A dor nessa nossa época é vestida diferente
mas a separação é a mesma

Substituíram por algemas
as antigas correntes dos sem direitos
descartáveis ou sem mais valor

As drogas mentais cada dia mais poderosas sempre foram de graça
e a carne mais barata
tem sempre a mesma cor

Os invisíveis dessa pública morte social
são cada dia mais jovens

E a violência
é por onde continuam educando os misturados, os pobres,
os desde cedo acostumados a ausência de tudo e a presença da dor

Banalizou
ver os fantasmas fumando pedras
nas ruas estações, praças e bocas
dos bairros de Salvador

Sexo a qualquer hora e idade nas esquinas
os eternos escândalos e propinas
a serviço do poder

Sem Axé, mar, luz, sincretismo e baianidade
não sei o que a gente faria com esta realidade tão queimada, tão bruta e tão vizinha
que não pode ser esquecida por nenhum de nós.

Comentários

Postagens mais visitadas