52 rascunhos e uma poesia nem um pouco desesperada

As vezes

Nem parece eu
desviando, controlando as marchas, apertando o acelerador
fazendo a maquina ir adiante

Parece que o mundo e seus olhos é que estão em movimento
eu completamente parado
os sonhos passando pelo vidro

Um barulho de motor longe
Alguém me filmando em câmera lenta
O meu eu se deslocando num universo desconhecido

Nessa viagem acordada
de astronauta ao redor do meu centro
parece que liguei a chave e apareci em casa

Que desci da nave e errei todas as falas
Que esqueci a linha do voo e quebrei a asa

Parece que nem mesmo estou no volante

É como olhar do lado de fora o filme de outra pessoa

Atuando no enredo enquanto é reescrito o rascunho...

Quem sabe não é essa a nossa metáfora mais bela?

Quem sabe somos palavras sopradas
entre um ponto final
e um traço piscando

Onde o mágico começa seus textos?

Bem ali
no cantinho da tela?

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