Café

Ela sente a oração que eu nem ouço

Nunca pergunta se pode chegar
parece que sempre está por perto

Hoje durante o café me derrubou do muro

Me olhou então de dentro de seu sorriso mais louco
aquele  que acha pouco
o sangue rouco sugado de cada existido
segundo

Girou comigo no ar, primeiro abraçando depois, soltando, guiando
as asas dos meus sentidos

Me levou até perto do sol

Do coração
das coisas

E me deixou

A louca quer que eu respire o raríssimo oxigênio de existir

Ela não liga para o calor da realidade

Sabe que mergulharei eternamente

mesmo com dedos e olhos derretendo no atrito de toda essa nossa binária atualidade 

Ela sabe que me alimento de sonhos

A deusa
inspiração
ama os loucos

Os nus poetas meninos
nascidos Ícaros
no alto de todos os muros do mundo.

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