A linha e o mar

As pessoas estão dormindo

Eu estou no mar

O ar fininho ainda sem calor
vê meus olhos em reza
sobre as ondas do mundo

A pobre realidade lá atrás
tentando acompanhar meu voo
se manter comigo
no meu cavalo de papel alado

Que nem arraia empinada por menino
em cima do telhado

Que nem alma presa ao corpo
pela linha do umbigo

Vou indiferente
fazendo desenhos
no céu
com a ponta dos dedos
guardando no carretel do peito
as minhas sensações de recém nascido

As pessoas ainda estão dormindo
e eu já estou no mar

Sugando cada fruto da noite com a luz

Vendo em cada novo espanto uma asa
por onde vestido ou não
o mais incompreensível milagre
possa chegar
em paz.

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