Para o homem do chão

Hoje depois do meu almoço 
e no meio da rua que eu voltava
Tinha um homem no chão
Ele estava em uma camisa branca, bermuda jeans, sandália
e usava o sorriso infantil dos loucos
Aquele com que marcam os andam aqui mas viajam em outros
mundos
Parecia feliz dentro do sorriso que o cobria todo
Quase esqueci que ele estava largado
era velho
negro e
evitado
E que as pessoas que desviavam
eram urbanamente cegas
e seguiam em tuneis
atrás de sua própria pressa
Meus olhos ficaram
mas eu também fui passando
Ele estava na frente de uma loja onde estava escrito bem grande:
"ATACADO E VAREJO"
Ai eu entendi o peso da sutileza do acaso:
O homem do chão com certeza era o atacado.

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