Teatro

A menininha deita onde se deve sentar
corre todo o teatro
dança o momento como se fosse tudo apenas um olhar

Não liga
para as mordidas
das regras sociais

Suja as horas de chocolate

Enxerga o espaço como uma nova ordem
do gostar

Mastiga o doce devagar

Lambe o mundo

Tem muitas coisas importantes para viver em seus quatro aninhos

Sua poesia fura a casca dos adultos

Ressignifica o lugar 

Ah, Deus...

Me deixe também pular as filas

Amar sem explicação

Não ter tempo para a dor

Esquecer as desutilidades da razão

Não deixa eu ser mais adulto, nem mais alto, nem mais triste, nem mais culto

Faz o universo inteiro ter só quatro anos de novo.

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