A curva

Na curva para o estacionamento do meu trabalho
vi um cara sugando uma pedra

Ele ainda tava de farda de cobrador
e a sacizeira perto parecia desconfortável

Não foi o olhar dela evaporado em lugar nenhum

Não foi a cara entre o ansioso, o fixo e apagado

Não foi o não-lugar dos perdidos e drogados

Que mexeu a minha mente

Foi ter visto na linguagem do resto de corpo dela um não...

Parecia...

Que ela preferia se perder  sozinha
a estar servindo o caminho para os outros

Não sei se alguém vai acreditar mas havia uma mulher crua
dentro de um esqueleto
e um sonho fritando no calor de uma pedra
bem no meio da rua.

Comentários

Postagens mais visitadas